quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Apenas quem permitir-se poderá chegar do outro lado. Do outro lado da vida, da alma. Há sempre um lado desconhecido para todas as coisas.

         Foi um sonho bonito, não queria acordar. Era tranquilo, sentimento de paz. Enquanto viajava comigo mesmo, eu enxergava uma fada, quase imperceptível aos olhos de alguém que com o tempo já teria perdido sua magia, seu encanto, sua essência. Apenas seres humanos “puros”, que possuíssem uma mente liberta de maldades, ingênuos, desapegados, poderiam avistá-la. Era realmente uma fada encantadora, luzes fascinantes, olhos angelicais. Flutuava como o vento.

         Ela perguntou-me gentilmente se eu acreditava em um outro lado. Um lado que com o tempo já estaria apagado para a maioria das pessoas, as que não fossem como eu. Respondi sorridentemente que sim, acreditava eu ainda, com 16 anos de idade, em fantasias, sonhos e no amor de verdade. Quis a fada então que isso tornar-se real dentro de mim. Decidiu mostrar-me o outro lado, um lado para poucos.

         Apresentou-me a maior das energias, a suprema. Era uma energia boa, causava sensações arrepiantes. Mente viajava. Energia da qual eu jamais havia sentido aqui, neste lugar que alguns permanecem para sempre, sempre ligados á realidade. Energia que dinheiro nenhum poderia comprar. E os que quisessem comprar esta paz, jamais poderiam sentir. Era o preço a pagar por estarmos presos á conceitos e valores inúteis de uma sociedade que nunca soube sonhar.

         Então a energia suprema transformou-se em um rosto faiscante, deu-me as boas vindas e pediu para acompanhá-la. Passei por um portal. Minhas roupas desapareceram e todos do outro lado estavam nus. Era um local escuro, sem chão nem teto. Luzes por todos os lados me deixavam leve, era somente corpo e alma. O local cheirava a sexo, amor e liberdade.

         A face da energia estava explicando porque havia me convidado para este local. Queria esclarecer coisas que outras pessoas já não se importavam mais, não davam valor, ignoravam ou fingiam não saber por puro desinteresse de procurar saber viver. Foi neste momento que me pediu para agachar devagar e abrir as pernas, de maneira que tivesse um contato mais direto com meu clitóris.

         Masturbando-me delicadamente sussurrou ao meu ouvido: “- Ingênua menina, permita-se, continue não sendo como os outros, continue sem medo de ser feliz, ouça seus gemidos, sua intensa respiração, descubra-se e libere as fantasias ocultas de sua preciosa alma. Aqui não há preconceitos,  sua única preocupação será agir com naturalidade, sem julgamentos, sem mentiras criadas para esconder sua liberdade sexual, apenas a satisfação de sua alma falando mais alto.

         O ritmo de seus dedos foi aumentando, a menina, ousando-se cada vez mais pediu para ele continuar até chegar ao ponto máximo de excitação. Passavam mil coisas em sua cabeça, o conforto da liberdade que não podemos ter no outro mundo. No outro mundo onde tudo era artificial, onde as pessoas não tinham vontade própria, não poderiam expor suas emoções e idéias. Deixavam-se serem controladas como máquinas ao invés de ousarem a conhecer a si mesmos.

         Em estado de transe, entrou. O exagero de seus gritos, o sangue que corria com pressa em suas veias, os batimentos acelerados de seu coração e sua pele suada lhe dava a certeza de que havia chegado a um lugar desconhecido pela maioria das pessoas. A hora de acordar aproximava-se, mas a viagem de sua mente era tão boa que queria ela continuar na eternidade desse sonho.


Não confunda sentimentos intensos com vulgaridade.

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