"Society, you're a crazy breed. Hope you're not lonely without me." (Eddie Vedder)
terça-feira, 13 de março de 2012
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
O dia em que resolvi dormir no pátio de casa
"Você ainda lembra daquele certo dia de sua infância que revoltou-se com tudo? Deu a volta na quadra com uma mochila nas costas e dentro dela havia um pão e uma camiseta. Depois arrependeu-se e voltou chorando para casa. É como resolver dormir no pátio. Algo simples. Talvez coisa de criança. Que seja de criança então. Crianças são simples, puras e vêem a vida de outra maneira, como eu. Que eu seja uma eterna criança. Uma criança que já tem espinhas e nunca teve vergonha na cara."
O Céu estrelado
A lua cheia
O ar da noite agradável aos pulmões
Ele entrava e ia embora com os suspiros
Eu no meu quarto
Entre quatro paredes
E um teto sobre mim
Senti vontade de que todos os tijolos com cimento que me cercavam desaparecessem
Queria me conectar com algo maior
Com o universo, o infinito
Queria me conectar comigo
Porque casa é só algo que nos cobre, nos priva, nos cerca
Decidi então pegar meu colchão e deitar no pátio
Tinha certeza que lá me sentiria melhor, mais livre
O caderno preenchido com poemas e a garrafa de vinho
Eu e o cachorro
As estrelas e a lua
Minha tia chegou e perguntou o que eu estava fazendo
Então com naturalidade falei a verdade, queria dormir ali. Sentindo o vento no rosto
Ela? Riu!
Fiquei sem entender. Perguntei o motivo da risada
Então respondeu com um tom não agradável. Um tom alto e grave:
“– Sauara, estás precisando de tratamento, tu sempre com idéias fora do normal, igualzinha à mãe que tens. Estás muito perto da loucura. Queres sempre fazer coisas erradas, coisas diferentes. Idéias “estapafúrdias”. Idéias que a maioria das pessoas não tem. A sociedade tem convenções. Tu vê mais alguém fazer isto? Não vais conseguir emprego nenhum do jeito que estás encarando as coisas. Não vais ser alguém na vida. Tens que seguir os princípios estabelecidos pela maioria das pessoas. Então eu decido que não vais dormir na rua, até porque tem lagartixas e baratas! Baratas são bichos sujos que vão afetar tua saúde.”
- Ah! Não venha-me com esses assuntos de sujeira novamente, fazem 3 dias que não tomo banho. As baratas, são minhas amigas. Não fazem mal às pessoas nem ficam querendo impor regras sem sentido, como tu e metade de quem me cerca. E não vejo nenhum problema em dormir aqui.
É. Esse tipo de diálogo sempre faz com que eu sinta-me deslocada, mesmo que dentro de minha própria casa. É como não ter lugar para mim em algum lugar, não se encaixar em nada.
Retumbou a voz dentro de mim: "Estás muito perto da loucura!"
Retumbou a voz dentro de mim: "Estás muito perto da loucura!"
Eu? louca?
Loucos são os outros, não eu
Loucos são os outros, não eu
Loucas são as pessoas que comem animais por luxo, sorriem quando querem chorar, servem pouca comida no prato porque foi convencionado que é uma maneira de ser educado. Louco é quem não faz o que tem vontade para zelar por uma boa reputação. E quanto às pessoas que só trabalham para acumular bens materiais e esquecem de viver? Parecer, parecer. Sempre parecer e não ser.
E a pergunta que não cala: "Porque temos um certo lugar para dormir todos os dias em um planeta tão grande?"
Não faz sentido! E eu que sou a louca?
Mas ela? Riu! Riu de mim. Das minhas idéias e vontades
Por menor que pareça, isso me atingiu
Fez-me refletir profundamente
Pois um dos meus “problemas” é pensar demais
Aprofundar-me no sentido das coisas
Não só coisas complexas, mas as simples
Como o lugar que estamos com vontade de dormir
Seja no corredor, na sala ou na piscina
Se eu quiser por o colchão na cozinha?
Em cima da mesa?
Quem disse que não?
Mas ela? Riu! Riu de mim. Das minhas idéias e vontades
Por menor que pareça, isso me atingiu
Fez-me refletir profundamente
Pois um dos meus “problemas” é pensar demais
Aprofundar-me no sentido das coisas
Não só coisas complexas, mas as simples
Como o lugar que estamos com vontade de dormir
Seja no corredor, na sala ou na piscina
Se eu quiser por o colchão na cozinha?
Em cima da mesa?
Quem disse que não?
Acho todos esses conceitos uma bobagem, pois minha coragem ainda é bem maior.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Há quem diga
... que é um erro ter uma alma
Sentir o coração gritar dentro de si e deixar ser controlado pelas emoções
Há quem afirme ser só matéria
Há quem diga que o homem não nasceu para os sentimentos
Mas eu, que vim da intensidade, posso provar o contrário
Talvez eu seja mesmo o contrário de tudo
O avesso do mundo
Seja eu, de outra maneira
Sentir o coração gritar dentro de si e deixar ser controlado pelas emoções
Há quem afirme ser só matéria
Há quem diga que o homem não nasceu para os sentimentos
Mas eu, que vim da intensidade, posso provar o contrário
Talvez eu seja mesmo o contrário de tudo
O avesso do mundo
Seja eu, de outra maneira
Há quem queira livrar-se da culpa que é sentir
Há quem diga que eu sou a errada
Há quem tenha teorias para explicar qualquer coisa
E eu para explicar a mim e o nada
Há quem diga que eu sou a errada
Há quem tenha teorias para explicar qualquer coisa
E eu para explicar a mim e o nada
Deixe-me falar
Que para mim isto é o importante
Acordar e ver suas remelas grudadas nos olhos
Sentir seu chulé
Seu pênis roçando em mim
O suor que escorre da testa durante o orgasmo
Deixe-me confessar
Que gosto eu do seu hálito matinal
Álcool, vômito, miojo e sexo oral
Deixe-me explicar
Que para mim isto é o importante
Que para mim isto é o importante
Acordar e ver suas remelas grudadas nos olhos
Sentir seu chulé
Seu pênis roçando em mim
O suor que escorre da testa durante o orgasmo
Deixe-me confessar
Que gosto eu do seu hálito matinal
Álcool, vômito, miojo e sexo oral
Deixe-me explicar
Que para mim isto é o importante
Não quero seu dinheiro
Quero o seu sorriso
Não quero seu carro
Quero que me carregue nas costas
Não quero que me pague um Mac-Lanche Feliz
Quero mendigar sobras de comidas nas lixeiras da cidade
É, somos como crianças
Somos crianças
Mais divertidos, mais felizes, mais livres
E se você quiser o final pode ser resumido em:
“Um braço sobre o travesseiro, um abraço carente”
Mas eu não quero, prefiro ser exatamente o oposto
E continuar sonhando do que acreditar no fim...
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Preciso deixar de beber
Não faltar às aulas, dormir cedo, respeitar os mais velhos
Tirar notas altas, desprezar os viciados
Tirar notas altas, desprezar os viciados
Crescer, ser Católico Apostólico Romano
Só assim poderei ser
Um cidadão respeitável
Preciso casar na igreja, adular o padre, pagar dízimo
Comprar um carro, fundar uma indústria, arrancar três árvores
Adquirir alguns preconceitos, aprender o cinismo, a violência e a hipocrisia
Tornar-se doutor, ingressar na sociedade
Bajular políticos, dar esmolas em público
Preciso de tudo isso
Porque preciso subir na vida
E honrar minha família
E tudo isso é mais importante
Bem mais importante e necessário
Do que pensar
Preciso sobre tudo
Ser católico
Para que me abram as portas do paraíso.
(Manuel Cavalheiro)
Vulgo pai da Anna Karenina Cavalheiro e tio do Cícero Cavalheiro.
Vulgo pai da Anna Karenina Cavalheiro e tio do Cícero Cavalheiro.
Eu adoro essa família! Adoro tanto que as vezes sinto-me parte.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Sarah, vamos dividir nossas lágrimas
Vamos rir sem parar de toda essa gente sem graça nem vida, como se elas fossem uma piada, como se fossem uma comédia. Mas na verdade, somos nós que somos assistidas, e infelizmente, julgadas. E eles dizem como devemos ser, como devemos fingir que somos felizes. Não precisamos ouvi-los. Eles não sabem o que é viver. E eu não me importo com o que podem dizer. Nem se riem, ou se choram suas vidas inúteis. Nós estamos juntas, e ninguém pode mudar isso. Sarah, você entende? Podem fazer o que quiserem, nada vai mudar entre nós, em nossos sorrisos. Sarah, você sente. Sente como eu sinto, por isso eu te amo. Por tudo e por nada. Pelas lágrimas e pelo riso. E pela platéia, porque nós somos nós.
(Anna Karenina)
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Seguir esta convenção? Eis a questão!
Quem disse que assim as coisas funcionam? Que assim o mundo gira?
Seguir os passos dos outros sem questionar o porquê? Não, nós não colocamos fora nossas idéias. Para elas, a atenção
Aceito só o que a minha vontade pedir
Quem disse que precisa ser desta maneira?
Se eu não quiser, eu invento outra
Me reinvento
Juntas, nos reinventamos
Mochilas nas costas
Pés na estrada, passos confiantes
Idéias na cabeça
E estaremos por aí, livres pelo mundo
Poderá nos encontrar em alguma esquina rindo de bobagens
Debochando de nós mesmos
Somos um mesmo começo com vários fins e histórias para contar
Prazer é não saber o que nos espera do outro lado
Neste momento aqui, mas com a mente em outro lugar
É como se tivéssemos asas
Voamos mais alto, para mais longe
Quando isso acontece, nossos pensamentos se encontram
O que nos faz mais fortes
E quando nos disserem: O jogo acabou!
Iremos começar com tudo novamente
Queremos mais, muito mais
Quem assiste, costuma nos chamar de idiotas
E a razão será concedida
Eu afirmo com certeza: É isto o que somos
Pois preocupação seria se pessoas como vocês gostassem de nós
Iremos nos divertir loucamente
Beber demais, opa, juro que foi um acidente
E quanto às fortes emoções?
Expressar o amor, o medo e todas nossas indignações
E o meu silêncio?
Pode ser quando a boca cala
E os sentimentos se expressam naturalmente, por si só
Sem palavras, nem sussurros
Somente o amor que eu tenho por vocês
É como eu sempre digo: "Que pra gente, seja sempre tudo muito quente, sem meios termos, gostamos é do exagero."
Dedicado à Anna Karenina e Carolina Calegaro, minhas inspirações.
Dedicado à Anna Karenina e Carolina Calegaro, minhas inspirações.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
O sol se põe
E com ele vem a vontade
São seis horas, mas seu olhar já está embaçado
Sem ter muita noção das convenções criadas pela sociedade, exagera nas doses
Perdeu seu equilíbrio e junto com ele sua vergonha
Compreendendo apenas os barulhos que lhe cercam, arrisca alguns passos desorientados
Sem medo, expressa suas alegrias, tristezas e luxúrias
Sem medo, grita ela suas vontades
Grita para os amigos, para a lua, para o cão e para o nada
Não se importa com quem ouça, pois fala apenas verdades
Abre seu coração para mendigos, estranhos e inimigos
Saiu sem um real no bolso, mas mesmo assim voltou sem o casaco
Perdeu o orgulho, a chave de casa e o amigo
Gritando pelos seus desejos, com a mente embriagada, assim ela será lembrada
Lembrada pelos escândalos jamais esquecidos, pelas coisas erradas
Pelos teatros e fiascos
É antes do sol nascer que vem a total inconsciência
A moça bebeu até esquecer-se de sua existência
Mas existe apenas algo que seu instinto ainda procura
Em qualquer esquina, no fundo de uma garrafa vazia
No seu vômito ou em suas lembranças: encontrar-te com a certeza que serias o único a me compreender.
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