quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Boêmio amador


Depois de doze doses em um dia sem vida
Com seu sangue sem sal que fecha suas feridas
E com um sorriso amarelo, pedindo a mais pedida
Com a saliva grossa que vai junto com a bebida

Sem orgulho, muito menos arrependimentos
No alcool alheio que enche a sua pança
Num mergulho contra seus sentimentos
Não lembra de ontem, muito menos da infância

O boêmio sujo já foi um bom marido
Foi apresentado ao gênio da garrafa
E tem direito ao seus três pedidos
Duas caipirinhas e uma carona para casa

A sua risada já não é a mesma
Não tem comparação com a sua tristeza
De voltar para casa, andando feito lesma
E não ter ninguém para compartilhar a mesa

Não deve ser normal, assim nessa idade
Estar insatisfeito com tantas histórias
Sempre à procura de alguma novidade
Mesmo que não caiba na sua memória

Nunca percebe que já não faz mais nada
Além de só permanecer sentado
Enquadrando bundas no bar de madrugada
E mentindo não estar embriagado

O sol já vem e ele não esconde que o teme
Mas se prepara para a consequência
É perceptível, seu corpo todo treme
"Maldita ressaca, que dor na consciência"

Mas não adianta, o bar está sempre aberto
Por isso é difícil encontrar a cura
E mesmo que feche, sempre há outro perto
E a sua sede não impede, só procura

CÍCERO CAVALHEIRO

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